28/04/2016

Cenários de This Is It morreram com Michael Jackson


-Por Cassandra Wiseman

Bernt Capra, diretor de arte, que trabalhou com Michael em This Is It, disse em 2009.

Num brilhante dia de verão em Topanga Canyon, na manhã após a morte repentina de Michael Jackson ter surpreendido o mundo, o diretor de arte Bernt Capra estava caminhando para casa até Fernwood Pacific, com marcha lenta de um homem em profunda reflexão. Estava carregando um envelope que ele tinha acabado de pegar da sua caixa de correio. Nele estavam as provas tipográficas das últimas fotografias dos cenários acabadas de concluir que ele tinha projectado para os cinquenta concertos "This Is It", que deveriam ter aberto nesse mês na O2 Arena (The Millennium Dome), em Londres.

"Nunca antes, tive um chefe que me tivesse morrido", disse Capra em voz suave, balançando a cabeça. Originário de Viena, mas tendo vivido em Topanga desde 1980, ele parecia quase em estado de choque. Triste, ele tirou as duas folhas de fotografias e passou-as através da janela do carro. "Isso é muito triste porque esses cenários que projectamos, só podem viver com Michael actuando. Michael Jackson era um original como Elvis. Ninguém pode tomar o seu lugar nesses cenários".

Capra, que teve uma longa e notável carreira no cinema, tinha trabalhado com Michael Jackson desde a concepção até estar pronto para filmar em apenas cinco semanas. "Nós todos estávamos trabalhando arduamente. Não havia margem para erro. Na semana antes de Michael Jackson ter morrido tínhamos acabado tudo, [excepto] a refilmagem com os cenários, e isso nunca aconteceu".

"Dói-me pensar que todo esse trabalho que nós fizemos nunca será mostrado. A ideia de fazer este concerto como um evento teatral foi muito boa, e eu acho que não há maneira de qualquer um de nós o ver agora. Dói pensar que jamais irá ser visto da maneira que deveria ser. "

Capra trabalhou aqui em Los Angeles com Michael Jackson para transformar os seus conceitos de design para os concertos O2 Dome, numa realidade nos "quatro maiores estúdios de som na Culver Studios, em Culver City, todos os 235 pés por 150 pés e 45 pés de altura. Estes foram os mesmos estúdios onde filmaram o incêndio de Atlanta em Gone with the Wind [E Tudo o Vento Levou]

"Era supostamente o maior ecrã LED montado. Tinha 33 pés de altura e 100 pés de largura, e assim, ... era para cobrir todo o palco com um fundo de vídeos filmados em 3D rodando o tempo todo (o público receberia óculos 3D junto com os seus bilhetes), e por causa dos efeito 3D, os dançarinos fantasmas e o cenário combinam perfeitamente com os dançarinos reais ao vivo no palco, bem como um holograma, davam ao público uma imagem final."


"Tínhamos lobos ao vivo e corvos voando em volta do cenário do cemitério. Havia múmias e Zombies no cemitério e os Zombies estavam vestidos como personagens históricos, Louis XIV, Napoleão, um soldado Federal ... Eu estou realmente triste o meu pirata decomposto nunca será visto. "-Bernt Capra


Criação do cemitério de "Thriller


Criação de floresta tropical


Cenário da floresta tropical para "Earth Song"

Capra e o seu parceiro trabalharam no remake de cinco dos vídeos de Jackson para a turnê: "Thriller", "The Way You Make Me Feel", "Smooth Criminal", "“They Don’t Care about Us" e "Earth Song. "

"Eu sei todos os rumores sobre Michael Jackson, mas o que posso dizer é que ele era o sujeito mais agradável para se trabalhar junto - não havia nenhuma máscara - estava sempre elegantemente vestido, definitivamente parecia Michael Jackson - ele usava uma jaqueta preta estilo militar, com uma elaborada trança de ouro, para o ensaio, uma jaqueta de couro vermelho com bordados elaborados. Michael era eficiente, muito acessível, super educado e extremamente atencioso. Eu tinha bilhetes hoje para o funeral, mas eu dei-os a um amigo", disse Capra por telefone, cerca de uma hora após o memorial no Staples Center ter terminado. "Eu estava à espera para ver os cenários utilizados. Eu estava em lágrimas quando vi Paris Jackson falar do seu pai. Michael apresentou-nos os seus filhos quando ele os levou para conhecerem o local das filmagens . As crianças eram crianças normais, crianças muito felizes, e eles só queria brincar no cenário do cemitério e ele brincou com eles. Ele parecia um pai natural e estou certo de que ele amava seus filhos e obviamente, era louco por eles.

"A sua vida foi obviamente um pouco surreal. Quando ele chegava para trabalhar, ele teria que vir com forte esquema de segurança, é claro. Havia uma comitiva com fatos escuros, pelo menos quatro guarda-costas. Tínhamos até um nome de código para as fases de produção em Culver City - "DOME". Éramos o Projecto Dome. A AEG estava obviamente preocupado com a segurança. Ele chegava num dos dois ou três novos SUVs Cadillac escuros que o acompanhavam ao ensaio. Um veículo para si e os filhos, um que continha os quatro guarda-costas e às vezes havia um terceiro carro apenas para despistar um pouco os paparazzi. Nenhum dos carros tinham placas de matrícula.


"Michael Jackson era muito bom leitor e amava arte, e ele conhecia as suas fotografia, e gostava deste fotógrafo, Lewis Hine, que tinha sido assistente social na era da depressão e que tirou fotografias de vítimas de trabalho infantil, quatro, cinco, seis anos de idade que trabalham em fábricas e minas. Ele também era muito conhecido por uma colecção de fotos da construção do Empire State Building, que são muito valiosas agora. Michael amava esse sujeito e ele baseou a coreografia e cenografia de "The Way You Make Me Feel" nas fotos dos homens que constroem vigas de aço, como se estivessem no topo de um arranha-céus tendo uma pausa para o almoço". -Bernt Capra.



"Normalmente, quando Michael vinha aos sets, ele estava lá para trabalhar; ele só nos queria mostrar o que ele estava fazendo e coreografar as danças no sets com o coreógrafo do show, Travis Payne e com o diretor, Kenny Ortega, que também é coreógrafo de longa data. Os ensaios eram incríveis de ver. Eu acho que Michael inventou todos os movimentos. Michael desafiou as leis da natureza. De onde eu estava, que era cerca de 30 pés de distância do palco, parecia que ele estava dançando como ele fazia há trinta anos atrás, era bonito vê-lo. Ele era tão ágil, e a sua dança tão fluido, não há ninguém que pudesse dançar assim, para mim não havia melhor dançarino, nem Nureyev, nem Fred Astaire.


"Uma coisa que se percebe quando se conhece Michael é que ele tem esse carisma natural, não sei como chamar isso realmente, eu não sei se é uma reacção química, porque eu já trabalhei com Leonardo DiCaprio e Robert DeNiro, mas trabalhar com Michael, senti tão diferente de tudo que eu já experimentei. Nós só tínhamos cinco semanas para ir desde a concepção à produção, que é muito pouco tempo para um projecto como este, mas sempre que ele me via, ele era muito atencioso comigo e com o grupo e muito agradável. Não houve tempo para fazer as coisas, tudo tinha de ser aprovado e não havia como voltar atrás. Só o vi pela primeira vez, quando estávamos a meio das fases de construção que tinham alugado para ele ensaiar no Fórum."

Capra conseguiu o emprego através de um produtor de linha, "um velho amigo, aconteceu de eu estar a trabalhar com ele no momento, fazendo alguns filmes virais para a internet, e ele entrou nisto acidentalmente através de um outro produtor com quem tinha trabalhado antes. Ele não me pôde dizer por telefone que projecto era, mas quando ele me perguntou se eu queria trabalhar com ele em alguma coisa, eu disse que sim, mas eu não sabia o que era. Então eu vim para uma reunião com Robb Wagner da Stimulated Incorporated, que estava encarregado da execução de todo o projecto (ele também fazia parte do Memorial) e fui apresentado a Robb Wagner e Bruce Jones. Sentamo-nos à mesa para a nossa reunião e vi que se tratava de um projecto maior do que eu pensava.

"Nada do que Michael Jackson faz é pequeno. Realmente tudo o que ele faz é de grande orçamento, por isso nunca nos foi recusado qualquer coisa que pedimos, mas foi-nos dito que tínhamos que ser rápidos e por isso foi tudo sempre feito pelas "melhores pessoas" com um grande orçamento. Eu trabalhei com a artista conceitual Nicole Loebart e seu marido, o director de arte William Budge. Sentei-me com ela e a partir de imagens e ideias que ela faz esses elaborados desenhos conceituais no seu computador e tudo foi praticamente aprovado para que pudéssemos começar a construir os cenários.

"Michael Cotton desenhou e construiu o palco. Bruce Jones, co-diretor responsável dos efeitos visuais, foi o criador digital, fazendo a parte tecnológica. Todo o concerto era como uma exuberante representação de ópera. O cenário foi concebido como um grande espectáculo musical da Broadway, elaborado, mas em vez de reconstruir os cenários entre as músicas -porque Michael queria que o show fosse perfeito, não haveria tempo- os cenários eram esses vídeos em 3D que fizemos."

Capra encomendou todo o material de construção de Topanga Lumber.

Capra nasceu em Viena, durante a Segunda Guerra Mundial. O seu pai foi convocado para a guerra, e quando os aliados começaram a bombardear, a sua mãe fugiu com ele para a quinta da sua mãe. Ele era apenas mais um, quando deixou Viena e permaneceu na quinta até que ele voltou para obter um Bacharel da Universidade de Viena. "Eu era basicamente um rapaz do campo". Disse ele.



Fonte/Source : Topanga Messenger.com
e Bernt Capra.com
Tradução: Espaço Michael Jackson



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